domingo, 22 de maio de 2011

A difícil arte de Ouvir

Certamente vocês já devem ter reparado que hoje em dia a capacidade de ouvir virou uma arte. Que cada vez temos menos tempo, disposição e vontade.

Mas não me refiro ao ouvir por cima, com o olhar voltado para uma direção e os pensamentos no Japão. Digo ouvir de verdade, prestar atenção no que o outro diz, participar de fato.

Parece-me um caminho sem volta, um “fenômeno” que tende a piorar com os dias. E como jornalista, percebo isso diariamente. Quantas vezes eu mesma já não deixei de notar algo importante pela pressa em terminar a pauta, ou porque o editor está desesperado aguardando uma nota retorno, ou então porque tive um dia difícil e tudo o que eu mais queria era ir logo para casa.

Complicado, mas tirando as “intempéries” do dia-a-dia juro que eu me esforço para não deixar que a correria diária me impeça de ouvir, de me colocar no lugar do outro, de valorizar a história do próximo.

Em redações jornalísticas, por exemplo, é mais ou menos assim: quem sabe ouvir é REI. E muitas vezes a melhor opção é OUVIR e abstrair.

É, minha gente, o fenômeno é tão, mas tão sério que até jargão já criaram. É mais ou menos assim: “VAMOS LÁ, RÁPIDO. EDITA, EDITA”. Verdade! E há quem diga em voz alta para quem quiser ouvir.




sexta-feira, 20 de maio de 2011

Provérbios Jornalísticos


Diretamente do Blog Desilusões Perdidas, por Duda Rangel

Gostei tanto que FAÇO QUESTÃO de compartilhar


Diga-me com quem andas que eu publicarei na revista de fofocas.

Depois da tempestade, vem a matéria de enchente.

Em terra de pessoa jurídica, quem tem carteira assinada é rei.

Quem nada deve com certeza não é jornalista.

De follow-up em follow-up o assessor de imprensa enche o saco

Aqui se faz frila, aqui não se paga.

Atrás de um grande repórter de TV, há sempre um grande produtor.

Quem indica amigo é.

A pressa é inimiga da boa apuração.

Não há folga que sempre dure, nem plantão que nunca se acabe.

Mais vale um frila na mão do que cem vagas de correspondente internacional voando.

Não adianta chorar sobre o furo tomado.

Em redação que tem estagiário bonitinho, jornalista cultural caminha de costas.

Quem tem boca vai à coletiva de imprensa filar um rango.

Devagar se perde o deadline.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Reflexões da VIDA REAL

E ai você cresceu, amadureceu e constatou, mais uma vez, o “óbvio”: que não importa o que você faça, o quanto você se importe, que dar não significa necessariamente receber, que muitas vezes atitudes e gestos serão mal interpretados e que aquela pessoa que você acreditou que era um dos “seus”, na verdade, nunca o foi.

Estava ali, o tempo todo, mas as intenções eram outras, os valores então... bom, melhor deixar pra lá!

A boa fé hoje em dia é risco sério! Há pessoas que se preocupam mais com o TER, com o FAZER PARTE, ao invés de ser fiel aos desejos do coração.

E o mais óbvio de tudo é que algumas coisas realmente não acabam nunca, apenas mudam de lugar. Não, não tenho óculos cor-de-rosa nos olhos, nem uma venda que me impeça de ver a superficialidade dos sentimentos, a efemeridade pura em gestos e atitudes. É que essas coisas ainda me assustam e incomodam. Desafiam a minha capacidade de compreensão.

Mas para tudo um aprendizado. O resto é só verborragia, especulação e, claro, fofocas.