Mas não me refiro ao ouvir por cima, com o olhar voltado para uma direção e os pensamentos no Japão. Digo ouvir de verdade, prestar atenção no que o outro diz, participar de fato.
Parece-me um caminho sem volta, um “fenômeno” que tende a piorar com os dias. E como jornalista, percebo isso diariamente. Quantas vezes eu mesma já não deixei de notar algo importante pela pressa em terminar a pauta, ou porque o editor está desesperado aguardando uma nota retorno, ou então porque tive um dia difícil e tudo o que eu mais queria era ir logo para casa.
Complicado, mas tirando as “intempéries” do dia-a-dia juro que eu me esforço para não deixar que a correria diária me impeça de ouvir, de me colocar no lugar do outro, de valorizar a história do próximo.
Em redações jornalísticas, por exemplo, é mais ou menos assim: quem sabe ouvir é REI. E muitas vezes a melhor opção é OUVIR e abstrair.
É, minha gente, o fenômeno é tão, mas tão sério que até jargão já criaram. É mais ou menos assim: “VAMOS LÁ, RÁPIDO. EDITA, EDITA”. Verdade! E há quem diga em voz alta para quem quiser ouvir.

