Não me lembro como foi o encontro dos meus olhos com os seus, mas, tenho certeza, foi amor à primeira vista, pai. Amor que vai durar a eternidade e que não se finda com a sua partida, muito pelo contrário. Agora, além dele, a saudade transborda em mim.
Muito mais
do que laços sanguíneos, os nossos são laços da alma. Eu posso viver muitas
outras vezes, mas nenhuma outra vida será igual a essa, que felizmente pude compartilhá-la com você até
meus 30 anos. É pouco, muito pouco quando se tem uma vida ainda pela frente
para compartilhar. Tantas ideias, planos, queria poder fazer ainda muito mais.
Ainda assim, fecho os olhos e agradeço pela benção em ser sua filha e me lembro
de tantas emoções e experiências que vivenciei ao seu lado, meu pai, meu amigo,
meu conselheiro, minha cara!
Dizem que a
gente escolhe a família antes de nascer, que escolha maravilhosa eu fiz a me
unir a você.
Nunca mais o
voltar para casa será igual. Mas, ao menos nos últimos meses, pude me encontrar
com você diariamente, segurar sua mão e tentar confortar seu coração.
Dividir
com você como foi meu dia, reclamar de algum aborrecimento, ou, simplesmente,
ficar ao seu lado calada, em silêncio.
Será
impossível ouvir Beatles, Rolling Stones e tantos outros monstros, como você
dizia, sem lembrar-me de você. Você, que além das suas características, me influenciou
também pelo seu bom gosto musical. Somos muito parecidos.
A doença
levou nos últimos tempos aquele seu brilho no olhar, sempre tão expressivo,
mas não levou de nós as lembranças de como você sempre foi especial, por dentro
e por fora. Batalhador, íntegro, amigo e família.
O tempo
talvez irá aplacar, um pouco, a saudade e tristeza. Mas, até lá, tem a casa
vazia, os cachorros tristes, o coração apertado, a saudade e a vontade de que
tudo fosse diferente.
Fique bem,
pai querido, porque a vontade de Deus é sempre para o melhor, por mais que a
gente não compreenda. A sua parte aqui nesse plano você fez de forma linda, é
lembrado por todos com muito carinho e admiração.
Sinta-se
abraçado e beijado todos os dias.
Quem sabe não podemos repetir a
dose pai e filha novamente? Se eu puder, é a escolha que vou tentar fazer, de alguma maneira.
Da sua filha
que te ama e carrega com orgulho seu sobrenome,
Mariana
Bruno da Silveira


