sexta-feira, 11 de julho de 2014

Doze dias sem você


Não me lembro como foi o encontro dos meus olhos com os seus, mas, tenho certeza, foi amor à primeira vista, pai. Amor que vai durar a eternidade e que não se finda com a sua partida, muito pelo contrário. Agora, além dele, a saudade transborda em mim.

Muito mais do que laços sanguíneos, os nossos são laços da alma. Eu posso viver muitas outras vezes, mas nenhuma outra vida será igual a essa, que  felizmente pude compartilhá-la com você até meus 30 anos. É pouco, muito pouco quando se tem uma vida ainda pela frente para compartilhar. Tantas ideias, planos, queria poder fazer ainda muito mais. 

Ainda assim, fecho os olhos e agradeço pela benção em ser sua filha e me lembro de tantas emoções e experiências que vivenciei ao seu lado, meu pai, meu amigo, meu conselheiro, minha cara!

Dizem que a gente escolhe a família antes de nascer, que escolha maravilhosa eu fiz a me unir a você.

Nunca mais o voltar para casa será igual. Mas, ao menos nos últimos meses, pude me encontrar com você diariamente, segurar sua mão e tentar confortar seu coração. 

Dividir com você como foi meu dia, reclamar de algum aborrecimento, ou, simplesmente, ficar ao seu lado calada, em silêncio.

Será impossível ouvir Beatles, Rolling Stones e tantos outros monstros, como você dizia, sem lembrar-me de você. Você, que além das suas características, me influenciou também pelo seu bom gosto musical. Somos muito parecidos.

A doença levou nos últimos tempos aquele seu brilho no olhar, sempre tão expressivo, mas não levou de nós as lembranças de como você sempre foi especial, por dentro e por fora. Batalhador, íntegro, amigo e família.

O tempo talvez irá aplacar, um pouco, a saudade e tristeza. Mas, até lá, tem a casa vazia, os cachorros tristes, o coração apertado, a saudade e a vontade de que tudo fosse diferente. 

Fique bem, pai querido, porque a vontade de Deus é sempre para o melhor, por mais que a gente não compreenda. A sua parte aqui nesse plano você fez de forma linda, é lembrado por todos com muito carinho e admiração.

Sinta-se abraçado e beijado todos os dias. 

Quem sabe não podemos repetir a dose pai e filha novamente? Se eu puder, é a escolha que vou tentar fazer, de alguma maneira.

Da sua filha que te ama e carrega com orgulho seu sobrenome,


Mariana Bruno da Silveira