sábado, 9 de maio de 2015

It's easy?



Uma ONG norte-americana produziu um vídeo no qual pedia que crianças de 4 a 8 anos dissessem o que é o amor/amar. O vídeo não é uma novidade, à época viralizou nas redes sociais, mas ao rever as respostas das crianças, tão diretas e simples, é no mínimo um motivo para refletir.  Pelo menos para os pensativos e contemplativos. Para esses, eu digo que sim, vale a pena ver de novo. https://www.youtube.com/watch?v=SEAS-k1YDD0

Há respostas ótimas e surpreendentes, como: “Amor é quando você perde um dente, mas não tem medo de sorrir, porque você sabe que os seus amigos ainda vão te amar mesmo se estiver faltando uma parte de você.” Ou, ainda: “Amar alguém é se sentir quentinha, confortável como um travesseiro”.

Quanto mais eu vivo, escuto e observo a respeito dos relacionamentos acho mesmo que o amor é sutil, que ele está nos detalhes, no cuidar e na entrega ao se relacionar.

Amor não se mantém com promessas, mas sim atitudes. Um café que você não bebe, mas faz porque o amor da sua vida não vive sem. É ir à locadora ou baixar um filme daquele diretor que sua namorada(o) adora. É acompanhar naquela consulta chata e aguardar lendo revistas mais chatas ainda. É topar ir naquele jantar das amigas dela em que você sabe que você ficará um pouco deslocado, mas vai e se diverte da mesma maneira. É rir das neuras dela, saber dar espaço, mas também fazê-la se sentir protegida.

É, sobretudo, saber ceder. Saber dividir, saber somar, ser mais, ser entregue. Saber que dois continuam a ser dois, e não um. Mas que, às vezes, fazemos o que não gostamos tanto assim para acompanhar ou conhecer o universo do outro. E tudo bem, desde que isso não te faça mal ou seja contrário aos seus princípios. Não é preciso ter os mesmos gostos, fazer as mesmas coisas, mas admiração e interesse em quem está com você é fundamental. Que me desculpem os desapegados- refiro-me aos extremistas- mas quem gosta, cuida.

Intimidade é jogo para adultos, para os corajosos e dispostos. Conforme ela aumenta, aumentam também os desafios, a necessidade de ter jogo de cintura e saber que nessa loucura que é o amor as pessoas não podem ser divididas e classificadas em erradas ou certas. 

Quando saímos do racional para o sentimental, a exatidão muitas vezes não cabe. Não estou dizendo que seja fácil. Acho o máximo observar quando o amor acontece e amadurece, histórias e exemplos de casais que fazem dar certo, que começam no improvável e terminam naquele tipo de par que você admira e torce mesmo para que envelheça juntinho.

Talvez o amor assim, duradouro, que se reinventa e suporta, seja para poucos.  

Só o que sei é que amar é se entregar. Reter, nesse caso, é perecer.


sexta-feira, 11 de julho de 2014

Doze dias sem você


Não me lembro como foi o encontro dos meus olhos com os seus, mas, tenho certeza, foi amor à primeira vista, pai. Amor que vai durar a eternidade e que não se finda com a sua partida, muito pelo contrário. Agora, além dele, a saudade transborda em mim.

Muito mais do que laços sanguíneos, os nossos são laços da alma. Eu posso viver muitas outras vezes, mas nenhuma outra vida será igual a essa, que  felizmente pude compartilhá-la com você até meus 30 anos. É pouco, muito pouco quando se tem uma vida ainda pela frente para compartilhar. Tantas ideias, planos, queria poder fazer ainda muito mais. 

Ainda assim, fecho os olhos e agradeço pela benção em ser sua filha e me lembro de tantas emoções e experiências que vivenciei ao seu lado, meu pai, meu amigo, meu conselheiro, minha cara!

Dizem que a gente escolhe a família antes de nascer, que escolha maravilhosa eu fiz a me unir a você.

Nunca mais o voltar para casa será igual. Mas, ao menos nos últimos meses, pude me encontrar com você diariamente, segurar sua mão e tentar confortar seu coração. 

Dividir com você como foi meu dia, reclamar de algum aborrecimento, ou, simplesmente, ficar ao seu lado calada, em silêncio.

Será impossível ouvir Beatles, Rolling Stones e tantos outros monstros, como você dizia, sem lembrar-me de você. Você, que além das suas características, me influenciou também pelo seu bom gosto musical. Somos muito parecidos.

A doença levou nos últimos tempos aquele seu brilho no olhar, sempre tão expressivo, mas não levou de nós as lembranças de como você sempre foi especial, por dentro e por fora. Batalhador, íntegro, amigo e família.

O tempo talvez irá aplacar, um pouco, a saudade e tristeza. Mas, até lá, tem a casa vazia, os cachorros tristes, o coração apertado, a saudade e a vontade de que tudo fosse diferente. 

Fique bem, pai querido, porque a vontade de Deus é sempre para o melhor, por mais que a gente não compreenda. A sua parte aqui nesse plano você fez de forma linda, é lembrado por todos com muito carinho e admiração.

Sinta-se abraçado e beijado todos os dias. 

Quem sabe não podemos repetir a dose pai e filha novamente? Se eu puder, é a escolha que vou tentar fazer, de alguma maneira.

Da sua filha que te ama e carrega com orgulho seu sobrenome,


Mariana Bruno da Silveira

domingo, 1 de junho de 2014

De repente 30


Acordara com a preguiça de costume. Tinha pelo menos duas horas para ficar à toa até a maratona de 12 horas seguidas no trabalho, de frente a um computador e com o telefone esquentando a orelha.

Até aí, nenhuma novidade, a não ser o fato de comemorar aniversário naquele dia. Era a entrada na casa dos assustadores....30! Há um mês vinha sofrendo o inferno astral duplamente: por ficar mais velha, por ser 30, e porque o inferno astral é um fato! Toda mulher sabe.O que ela não sabia era a forma que seu organismo reagiria a tantas doses de ansiesade, tensão.


Saiu da cama. Resolveu dar uma pausa no drama e antes de falar ou fazer qualquer movimento que exigisse muita energia providenciou o indispensável cafezinho preto. Forte e doce. No ponto. 


Agora sim o mau humor já havia ido embora e os olhos estavam mais vivos do que nunca. Não havia mais risco de dar uma resposta atravessada a companheira de apartamento e também colega de trabalho. O café tinha mesmo esse efeito apaziguador.


Duas horas passam rápido demais, ainda mais pra alguém que nunca sabe que roupa vestir. Mesmo  para ir ao trabalho havia sempre uma tentativa de pensar em algo diferente, um acessório, um cinto. Fazia questão de estar sempre bonita. Sair de casa bonita é quase garantia para um dia bom.


Resolvera ir de vestido. Um comportado como pedia a circunstância. Repórter não é modelo, nem atriz ou dançarina. (Viva Pagu). Como era de costume, rolou salgadinho, refrigerante, risadas, muitas piadas sobre nova idade e  fotos com amigos. Uma pausa na jornada frenética, que coisa boa!


Um final de semana antes, porém, havia feito a primeira comemoração do niver. Sabe o filme, De repente 30? Deu nome ao aniversário. Comemoração em um bar legal, com família, bolo de chocolate e frutas e alguns queridos. Aqueles indispensáveis que podia contar.


Eram tantas comemorações para uma data só que era impossivel não ser vítima de piadinhas. Depois da confraternizaçao no trabalho, tinha mais. À noite, no bar ao lado do prédio em que morava, uma torta de chocolate a esperava. Mimo de um garçom que virou amigo. Mais parabéns, mais um pedido na hora de cortar o bolo.


Hora de dormir. Pijama, tira a maquiagem. A companheira de apartamento e mais um amigo continuam na sala a beber e conversar. Deita, mas o sono que sempre chegou rápido dá lugar a uma sensação estranha. Arritmia, corpo tremendo, voz tremida, frio e calor, juntos. Não sabia qual era a sensação da morte. Mas, pensou, deve ser essa. Corre pra sala, cara pálida, preocupada. "Tô  passando mal, tô estranha". O pânico começa a tomar conta. A amiga tenta acalmá-la. "Calma, toma essa água. Vai passar, é só stress". "Ai meu Deus, chama o Samu. Não, corre lá, você tem carta? Me leva ao hospital". Não saiu da sala, quiçá do sofá. A amiga a convence a tomar um calmante fraquinho."Em pouco tempo você vai se acalmar. Se não passar, chamo o Samu". Trato feito. Não havia outra opção. Estava fraca demais para discutir. Meia hora depois estava deitada no sofá, com o sono chegando forte e levando embora a sensação horrorosa de momentos atrás. 


Vida.  Foi a primeira palavra que lhe veio a cabeça ao abrir os olhos, no outro dia. Viva e mais velha. Prometeu a si mesma pegar mais leve, controlar a ansiedade. Não levar os problemas do trabalho para a casa. Desconhecia, até então, o efeito bombástico do stress e ansiedade no corpo, até constatá-lo.



Levantou, fez o café costumeiro. Arrumou-se e foi trabalhar. É vida que segue.

domingo, 4 de maio de 2014

Tudo tem seu lugar


As pessoas estão cada vez mais fortes, mais seguras, bonitas e joviais, autosuficientes, bem capacitadas,  descoladas, bem informadas, mas também cada vez mais solitárias e individualistas.

Se gasta dinheiro e tempo demais com estética, na busca por padrões de beleza, grifes e ostentações idiotas. Mas gasta-se pouco ou nenhum tempo para amar outra pessoa. E isso não tem nada a ver com anulação, e, sim, entrega.

Acumula-se troféus,prêmios,títulos,rótulos e dívidas para sustentar padrões de luxo tão elevados quanto desnecessários. Mas nutrir e investir seu amor com exclusividade para uma pessoa é "perda de tempo". "Você sabe, esse lance de exclusividade, definem alguns, não está com nada".#naomerepresentam

Também há traumas e decepções amorosas demais. Busca-se quantidade, variedade, superficialidade. Ir mais fundo, virar a capa do livro e conhecer as próximas páginas é para os fortes. Os intensos, aqueles que têm coragem. Que não abrem mão de viver e conhecer de verdade.

Amar na mesa do bar é fácil. Só encontros casuais, buscando quantidade, vantagem e superficialidade só fazem de você mais um na multidão. O que é um direito de escolha também, evidente.

Penso que é muita vaidade para muito pouco do que se orgulhar. Joguinhos que todos já cansaram de brincar.









sexta-feira, 21 de março de 2014

Relicário


Você já sentiu muito medo de perder alguém? Um medo que paralisa, que te faz querer sair correndo e só parar quando você descobrir que tudo não passa de um pesadelo, que se trata de uma brincadeira de mau gosto? Uma vontade de gritar, tirar satisfações e esbravejar com Deus ou qualquer outra força espiritual na qual você acredite?
Eu tenho. Há exatos dois anos, qualquer telefonema muito cedo ou tarde da noite vem acompanhado de batimentos acelerados do meu coração e de um pedido íntimo e em silêncio para que tudo esteja bem com o meu pai. Sem contar as noites em que acordo como em um susto, com uma ansiedade desmedida, mãos e pés frios. Desde que ele descobriu um câncer em estágio avançado e com metástase, o futuro tem sido cada vez mais incerto, mais "futuro".

É uma doença tão, mais tão estúpida, que traz no "pacote" um sentimento de impotência, de que querer- neste caso- não é poder. Depois de um longo processo de aceitação, que no meu caso ainda está em curso, comecei a tentar buscar força e apoio espiritual em uma doutrina que já despertava a minha curiosidade. Também comecei a pesquisar e buscar terapias alternativas para amenizar e, quem sabe, devolver a esperança e alegria para aquele que tanto amo. Mas também tive que compreender o não como resposta, aceitar que meu pai tem o direito de lidar com a doença da forma como ele preferir, e que por mais que eu discorde, é o desejo dele sobre a própria vida. E eu devo respeitar.

O meu ímpeto é de lutar, de querer colocá-lo no carro a qualquer possibilidade de cura ou promessas de melhora.
Depois de inúmeros ciclos de quimioterapia e radioterapia, e de um emagrecimento radical, pela primeira vez nesses dois anos um exame de sangue acusou que ele está com anemia. Muito provavelmente pelos efeitos do tratamento. De ontem para hoje, começou a urinar sangue. Segundo a primeira avaliação, seria uma consequência da quimio. Difícil aceita-la como a única solução para a manutenção da vida dele, ao mesmo tempo que o deixa sem qualidade de vida, com menos força, menos entusiasmo e saúde para lutar por algo diferente. Ainda assim, não consigo pensar na minha vida sem ele, em imaginar o meu retorno a casa de final de semana sem encontrá-lo.

Sim, sei que é preciso pensar nisso, "trabalhar" meu apego- se é que posso falar assim- mas eu não consigo imaginar como seria, até prefiro na maior parte do tempo não pensar em despedida.

Há tanto que espero fazer na companhia dele. Penso que ele vai gostar de ter um neto ou neta, de me dar conselhos, de continuar a reclamar que eu deveria dirigir com mais calma e falar e mexer menos ao celular, e todos os outros detalhes e sutilezas que eu não consigo, agora, contar.  Há muito para ver e viver com ele.
Assim torço, peço e espero.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Luz dos Olhos






Uma curtida, uma adicionada e o universo se abriu para possibilidades desconhecidas. A minha impressão sobre os olhos, os mais doces que vi nos últimos tempos, rapidamente confirmou-se depois que vi o restante das fotos.

Fotos que traziam olhares que antes não haviam sido tão bem revelados, até a data que passei a fazer parte da sua lista “virtual”. Não são claros, nem exóticos. São lindos, profundos. Perfeitos e expressivos, daqueles que não perdem o brilho.

E tudo isso porque encará-los é ser remetida a algo que descreveria como paz, bondade. Impossível não olhar para eles e não associá-los a sentimentos bons. Se os olhos são a janela da alma, os dele remetem a contemplação de um dia lindo, claro.

Sabe aquela vontade de conhecer melhor, de ficar mais um pouco, de ouvir muito e falar pouco? Enfim.

20/02/2014

De dentro para fora



Quando foi a última vez que você se sentiu feliz por nada?
Sabe aquela sensação de felicidade sem motivo aparente, como quando, de repente, você se lembra de uma situação que te faz rir automaticamente, dentro do carro, em casa, ou no elevador ao lado de um completo estranho? Plenitude talvez não seja a palavra. Mas é como se fosse uma sensação de conforto, de paz com a vida, de ser quem se é.

Entre tantos desejos que peço para meus dias, que eu não perca a capacidade de me surpreender e sorrir sempre, com muito mais sensações quentes e seguras como a que só um abraço de verdade proporciona.
Até porque, como já disse Guimarães Rosa, "Felicidade se acha é em horinhas de descuido”.

Encerro o post com Stuck in a moment you cant get ouf of, do U2, música que me arranca um sorriso, de cara ;)