Depois de dois anos acostumada à experiência de morar
sozinha e viver como convinha e queria, precisou reaprender a viver junto. O
retorno à casa dos pais aconteceu quase meio que por acaso. Primeiro o dono do
apartamento pediu o imóvel, em segundo lugar havia a falta de emprego, e, quase
que sem opção, o retorno foi inevitável.
Não, não se trata de uma tragédia, muito pelo contrário. O
quarto em que dormiu por muitos anos ainda era o mesmo, a diferença é que agora
ele parecia pequeno, comparou. Agora as coisas, acumuladas no dia a dia, no
consumo por muitas vezes exagerado, ocupavam muitos lugares e criavam uma
desordem difícil de desfazer. Até o pequenino cachorro era o mesmo, com as
mesmas manias, travessuras, mas principalmente doçuras. Supunha que ele, certamente,
deve ter ficado muito feliz em ter novamente a companhia diária da “mãe”, e não
só mais aos finais de semana.
Agora, a boa filha, que a casa retorna, reaprende a viver no
esquema-família-todo dia. Sim, porque as relações casuais, os encontros de
finais de semana, enquanto ainda existia o “ninho vazio” proporcionavam, é
claro, mais facilidade para a compreensão e o entendimento. Voltar a viver
junto requer paciência, tolerância, disponibilidade e lembrar, todos os dias, o
quanto as pessoas são diferentes, o quanto é preciso abrir mão de certas
coisas. É lembrar, àqueles que a amam e querem protegê-la de tudo e de todos
que, assim... ela já não é mais uma adolescente! (Não espalhem, mas daqui a
alguns anos ela entra para a lista dos 30 e se consagra balzaquiana) e que as
suas escolhas são apenas suas, ainda que isso signifique quebrar a cara vez ou
outra.
É o inevitável, né, minha gente?
Entre tantas coisas na vida capazes de proporcionar prazer, uma delas é, sem dúvida, a comida. Há muitas outras que eu poderia listar aqui, cada uma aguçando determinado sentido. Mas, meus caros, a comida é um caso à parte.