quinta-feira, 11 de março de 2010

Mulher


Há exatos 50 anos, quem diria, surgia a primeira pílula anticoncepcional, método contraceptivo mais usado no mundo atualmente. A invenção marcava para sempre uma mudança no padrão comportamental, significando uma grande conquista na vida de todas as mulheres.

Pensar na pílula anticoncepcional no contexto atual até parece algo assim ‘nada demais’. Mas foi a partir dela que as mulheres ganharam mais liberdade e puderam, pela primeira vez, pensar no sexo sem o objetivo de reprodução, e, além disso, possibilitou o planejamento familiar.

E neste mesmo mês, comemora-se também o Dia Internacional da Mulher, mas ainda faltam motivos pra comemorar. Segundo dados do IBGE, as mulheres já são maioria no mercado de trabalho, mas, em todas as categorias, elas ainda ganham menos do que os homens, que recebem quase 40% a mais. Se não bastasse essa disparidade, a mulher ainda precisa sim se fazer respeitar no ambiente de trabalho.

A grande diferença, é que agora somos ouvidas, seja por bem ou por mal. Agora, a força de trabalho feminina conta e muito pra economia. Afinal, elas sustentam a casa em boa parte dos lares brasileiros. Se me perguntarem se a situação melhorou ao longo da história, é fato que sim, mas o machismo e preconceito ainda estão por ai, deixando rastros nas histórias contadas no dia a dia.

Não é preciso ir muito longe para constatar algumas barbaridades, que não estão limitadas a um grupo específico, muito pelo contrário. A intolerância e preconceito, mesmo que velados, estão nos clubes, bares e nos ambientes de trabalho.

Escolho terminar o assunto com um texto da escritora Adélia Prado, que diz assim:

“Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
-- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou”

Nenhum comentário:

Postar um comentário