Uma ONG norte-americana produziu um vídeo no qual pedia que crianças de 4 a 8 anos dissessem o que é o amor/amar. O vídeo não é uma novidade, à época viralizou nas redes sociais, mas ao rever as respostas das crianças, tão diretas e simples, é no mínimo um motivo para refletir. Pelo menos para os pensativos e contemplativos. Para esses, eu digo que sim, vale a pena ver de novo. https://www.youtube.com/watch?v=SEAS-k1YDD0
Há respostas ótimas e surpreendentes, como: “Amor é quando você perde um dente, mas não tem medo de sorrir, porque você sabe que os seus amigos ainda vão te amar mesmo se estiver faltando uma parte de você.” Ou, ainda: “Amar alguém é se sentir quentinha, confortável como um travesseiro”.
Quanto mais eu
vivo, escuto e observo a respeito dos relacionamentos acho mesmo que o amor é
sutil, que ele está nos detalhes, no cuidar e na entrega ao se relacionar.
Amor não se mantém
com promessas, mas sim atitudes. Um café que você não bebe, mas faz porque o
amor da sua vida não vive sem. É ir à locadora ou baixar um filme daquele
diretor que sua namorada(o) adora. É acompanhar naquela consulta chata e
aguardar lendo revistas mais chatas ainda. É topar ir naquele jantar das amigas
dela em que você sabe que você ficará um pouco deslocado, mas vai e se diverte
da mesma maneira. É rir das neuras dela, saber dar espaço, mas também fazê-la
se sentir protegida.
É, sobretudo, saber
ceder. Saber dividir, saber somar, ser mais, ser entregue. Saber que dois
continuam a ser dois, e não um. Mas que, às vezes, fazemos o que não gostamos
tanto assim para acompanhar ou conhecer o universo do outro. E tudo bem, desde
que isso não te faça mal ou seja contrário aos seus princípios. Não é
preciso ter os mesmos gostos, fazer as mesmas coisas, mas admiração e interesse
em quem está com você é fundamental. Que me desculpem os desapegados- refiro-me
aos extremistas- mas quem gosta, cuida.
Intimidade é jogo
para adultos, para os corajosos e dispostos. Conforme ela aumenta, aumentam
também os desafios, a necessidade de ter jogo de cintura e saber que nessa
loucura que é o amor as pessoas não podem ser divididas e classificadas em
erradas ou certas.
Quando saímos do
racional para o sentimental, a exatidão muitas vezes não cabe. Não estou
dizendo que seja fácil. Acho o máximo observar quando o amor acontece e
amadurece, histórias e exemplos de casais que fazem dar certo, que começam no
improvável e terminam naquele tipo de par que você admira e torce mesmo para
que envelheça juntinho.
Talvez o amor
assim, duradouro, que se reinventa e suporta, seja para poucos.
Só o que sei é que amar é se entregar. Reter, nesse caso, é perecer.

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