sábado, 26 de maio de 2012

O retorno ao ninho

Depois de dois anos acostumada à experiência de morar sozinha e viver como convinha e queria, precisou reaprender a viver junto. O retorno à casa dos pais aconteceu quase meio que por acaso. Primeiro o dono do apartamento pediu o imóvel, em segundo lugar havia a falta de emprego, e, quase que sem opção, o retorno foi inevitável.


Não, não se trata de uma tragédia, muito pelo contrário. O quarto em que dormiu por muitos anos ainda era o mesmo, a diferença é que agora ele parecia pequeno, comparou. Agora as coisas, acumuladas no dia a dia, no consumo por muitas vezes exagerado, ocupavam muitos lugares e criavam uma desordem difícil de desfazer. Até o pequenino cachorro era o mesmo, com as mesmas manias, travessuras, mas principalmente doçuras. Supunha que ele, certamente, deve ter ficado muito feliz em ter novamente a companhia diária da “mãe”, e não só mais aos finais de semana.


Agora, a boa filha, que a casa retorna, reaprende a viver no esquema-família-todo dia. Sim, porque as relações casuais, os encontros de finais de semana, enquanto ainda existia o “ninho vazio” proporcionavam, é claro, mais facilidade para a compreensão e o entendimento. Voltar a viver junto requer paciência, tolerância, disponibilidade e lembrar, todos os dias, o quanto as pessoas são diferentes, o quanto é preciso abrir mão de certas coisas. É lembrar, àqueles que a amam e querem protegê-la de tudo e de todos que, assim... ela já não é mais uma adolescente! (Não espalhem, mas daqui a alguns anos ela entra para a lista dos 30 e se consagra balzaquiana) e que as suas escolhas são apenas suas, ainda que isso signifique quebrar a cara vez ou outra.
 É o inevitável, né, minha gente?








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