Acordara com a preguiça de costume. Tinha pelo menos duas horas para ficar à toa até a maratona de 12 horas seguidas no trabalho, de frente a um computador e com o telefone esquentando a orelha.
Até aí, nenhuma novidade, a não ser o fato de comemorar aniversário naquele dia. Era a entrada na casa dos assustadores....30! Há um mês vinha sofrendo o inferno astral duplamente: por ficar mais velha, por ser 30, e porque o inferno astral é um fato! Toda mulher sabe.O que ela não sabia era a forma que seu organismo reagiria a tantas doses de ansiesade, tensão.
Saiu da cama. Resolveu dar uma pausa no drama e antes de falar ou fazer qualquer movimento que exigisse muita energia providenciou o indispensável cafezinho preto. Forte e doce. No ponto.
Agora sim o mau humor já havia ido embora e os olhos estavam mais vivos do que nunca. Não havia mais risco de dar uma resposta atravessada a companheira de apartamento e também colega de trabalho. O café tinha mesmo esse efeito apaziguador.
Duas horas passam rápido demais, ainda mais pra alguém que nunca sabe que roupa vestir. Mesmo para ir ao trabalho havia sempre uma tentativa de pensar em algo diferente, um acessório, um cinto. Fazia questão de estar sempre bonita. Sair de casa bonita é quase garantia para um dia bom.
Resolvera ir de vestido. Um comportado como pedia a circunstância. Repórter não é modelo, nem atriz ou dançarina. (Viva Pagu). Como era de costume, rolou salgadinho, refrigerante, risadas, muitas piadas sobre nova idade e fotos com amigos. Uma pausa na jornada frenética, que coisa boa!
Um final de semana antes, porém, havia feito a primeira comemoração do niver. Sabe o filme, De repente 30? Deu nome ao aniversário. Comemoração em um bar legal, com família, bolo de chocolate e frutas e alguns queridos. Aqueles indispensáveis que podia contar.
Eram tantas comemorações para uma data só que era impossivel não ser vítima de piadinhas. Depois da confraternizaçao no trabalho, tinha mais. À noite, no bar ao lado do prédio em que morava, uma torta de chocolate a esperava. Mimo de um garçom que virou amigo. Mais parabéns, mais um pedido na hora de cortar o bolo.
Hora de dormir. Pijama, tira a maquiagem. A companheira de apartamento e mais um amigo continuam na sala a beber e conversar. Deita, mas o sono que sempre chegou rápido dá lugar a uma sensação estranha. Arritmia, corpo tremendo, voz tremida, frio e calor, juntos. Não sabia qual era a sensação da morte. Mas, pensou, deve ser essa. Corre pra sala, cara pálida, preocupada. "Tô passando mal, tô estranha". O pânico começa a tomar conta. A amiga tenta acalmá-la. "Calma, toma essa água. Vai passar, é só stress". "Ai meu Deus, chama o Samu. Não, corre lá, você tem carta? Me leva ao hospital". Não saiu da sala, quiçá do sofá. A amiga a convence a tomar um calmante fraquinho."Em pouco tempo você vai se acalmar. Se não passar, chamo o Samu". Trato feito. Não havia outra opção. Estava fraca demais para discutir. Meia hora depois estava deitada no sofá, com o sono chegando forte e levando embora a sensação horrorosa de momentos atrás.
Vida. Foi a primeira palavra que lhe veio a cabeça ao abrir os olhos, no outro dia. Viva e mais velha. Prometeu a si mesma pegar mais leve, controlar a ansiedade. Não levar os problemas do trabalho para a casa. Desconhecia, até então, o efeito bombástico do stress e ansiedade no corpo, até constatá-lo.
Levantou, fez o café costumeiro. Arrumou-se e foi trabalhar. É vida que segue.

Bem vinda os 30, seja da mesma maneira que você é. Inteligente, bonita e principalmente, com conteúdo! Muitos anos de vida e muitos textos.
ResponderExcluireu ouvi essa história!! rsrs e viva a vida!!
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